, Fórum PAS - Prática em Atenção à Saúde 2016

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“Rastreamento de sífilis em pessoas em situação de rua do centro POP do Município de Sorocaba-SP”
Rosana Maria Paiva dos Anjos, Davi Leandro Vieira, Diego Rosal Rodrigues, Elsner Gonzaga, Eric Ryuiti Kojima, Erick Lima de Azevedo Silva

Última alteração: 2017-03-28

Resumo


Introdução: O termo “doenças sexualmente transmissíveis” (DST) compreende as infecções disseminadas pelo contato interpessoal, de foro íntimo e sexual, causadas por bactérias, vírus, fungos e protozoários. A sífilis é categorizada como DST e é uma patologia infecciosa sistêmica de evolução crônica e pode ser transmitida por relação sexual, verticalmente entre mãe e feto (sífilis congênita) ou transfusão sanguínea. Fatores relevantes na transmissibilidade da sífilis podem estar relacionados a aspectos sociais, biológicos, culturais e comportamentais que influenciam a ocorrência da doença na população. O quadro clínico da doença mostra evolução que alterna períodos de atividade com características clínicas, imunológicas e histopatológicas distintas (sífilis primária, secundária e terciária) e períodos de latência (sífilis latente). Na sífilis primária, a lesão específica é o cancro duro ou protossifiloma, que surge no local da inoculação em média três semanas após a infecção. Corresponde a uma lesão de coloração rósea, ulcerada, geralmente única e indolor, medindo de 1 a 2 cm, com bordas bem delimitadas, bordas endurecidas, fundo limpo, liso e brilhante, secreção serosa escassa, acompanhada de adenopatia regional, geralmente unilateral, não supurativa, móvel, indolor, múltipla e sem sinais flogístico. O cancro regride espontaneamente em período que varia de quatro a cinco semanas sem deixar cicatriz. Na sífilis secundária após período de latência que pode durar de seis a oito semanas, a doença entrará novamente em atividade. O acometimento afetará a pele e os órgãos internos correspondendo à distribuição do T. pallidum por todo o corpo. Na pele, as lesões (sifílides) ocorrem por surtos e de forma simétrica. Podem apresentar-se sob a forma de máculas de cor eritematosa (roséola sifilítica) de duração efêmera. Novos surtos ocorrem com lesões papulosas eritêmato-acobreadas, arredondadas, de superfície plana, recobertas por discretas escamas mais intensas na periferia (colarete de Biett). Por fim, o último estágio é a sífilis terciária. Os pacientes nessa fase desenvolvem lesões localizadas envolvendo pele e mucosas, sistema cardiovascular e nervoso. Em geral, o aspecto das lesões terciárias é a formação de granulomas destrutivos (gomas) e ausência quase total de treponemas. Pode acometer ainda os ossos, músculos e fígado. No tegumento, as lesões são nódulos, tubérculos, placas nódulo-ulceradas ou tuberocircinadas e gomas. As lesões são isoladas ou em pequeno número, assimétricas, duras, com pouca inflamação, bordas bem marcadas, policíclicas ou formando segmentos de círculos, destrutivas, formação de cicatrizes e hiperpigmentação periférica. Na língua, o acometimento é insidioso e indolor, com espessamento e endurecimento do órgão. Lesões gomosas podem espalhar e perfurar o palato e destruir a base óssea do septo nasal A sífilis divide-se ainda em sífilis recente, nos casos em que o diagnóstico é feito em até um ano depois da infecção, e sífilis tardia, quando o diagnóstico é realizado após um ano. Tendo em vista que a sífilis tem fases assintomática e latente, com uma diversidade de sinais e sintomas que podem levar facilmente a confusão diagnóstica com várias outras doenças, o diagnóstico laboratorial se reveste de grande importância e, às vezes, na única maneira de identificá-la. A Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2010, publicou estimativa de ocorrência de 11 milhões de casos novos de sífilis por ano no mundo, sendo 2,4 milhões para a América Latina. Na cidade de São Paulo, as unidades da rede de atenção básica de saúde estão disponíveis para atendimento de pessoas acometidas por doenças sexualmente transmissíveis (DST). Porém, pessoas em situação de rua podem apresentar dificuldades de acesso a estes serviços, piorando, assim, as consequências decorrentes desses agravos. É importante salientar que pessoas em situação de rua constituem um grupo populacional com grande vulnerabilidade às doenças sexualmente transmissíveis (DST), podendo destacar a alta prevalência de sífilis e hepatites. Nesse cenário, as estratégias de rastreamento e busca ativa dos grupos de risco juntamente com o incentivo a realização de teste de diagnóstico mostram-se efetivas no levantamento de dados epidemiológicos, além de contribuírem para a sua prevenção e tratamento. Objetivos: Enfatizar a importância da prevenção, diagnóstico e tratamento da sífilis entre pessoas em situação de rua. Além disso através dos resultados obtidos estabelecer a prevalência da doença dentro da amostra, para que esses dados possam contribuir para futuros estudos envolvendo essa DST. Metodologia: Será realizado um rastreamento para identificar a DST sífilis, de pessoas em situação de rua, na cidade de Sorocaba, São Paulo. A população alvo será delimitada aos frequentadores do Centro POP da cidade, instituição municipal que realiza atendimento de caráter psicossocial à esta população, como por exemplo restabelecimento de vínculo familiar, encaminhamento ao mercado de trabalho, encaminhamento aos diversos serviços de saúde. O estudo será divido em dois tempos: Na primeira fase será realizada uma intervenção educativa, explicando aos participantes de maneira simples e educativa sobre a doença, seus sintomas, formas de prevenção e transmissão, seguida de aplicação de um questionário abordando a temática apresentada pelos alunos. No segundo momento, baseado em triagem que será realizada via questionário aplicado na primeira fase, serão selecionadas algumas pessoas (com maior risco de ter sido exposta à doença) que serão convidadas a ir até o Centro Saúde Escola (CSE), para realização do teste rápido para diagnóstico de Sífilis, que caso obtenha resultado positivo já será imediatamente orientado e encaminhado para início do tratamento. Resultados Esperados: Espera-se obter como principal resultado com essa pesquisa, o rastreamento de casos de sífilis nas pessoas em situação de rua do município, frequentadores do Centro POP de Sorocaba-SP, sendo que os dados obtidos serão comparados com resultados encontrados na literatura para averiguar se a epidemiologia da doença entre essas pessoas encontra-se nos parâmetros encontrados em outras localidades do país. Além disso, a partir da divulgação dos resultados da pesquisa, espera-se que sejam traçadas estratégias que ajudem a diminuir os casos de sífilis neste grupo de risco, dando destaque à  intervenções positivas adotadas durante a pesquisa, como a busca ativa dos participantes com o intuito de informá-los sobre a doença, a sua prevenção e o seu tratamento, conscientizando-os de que a prevenção é sempre preferível à reabilitação, e, em âmbito maior, despertar o interesse dessas pessoas da importância de zelar pelo cuidado com a própria saúde e pelo aumento da procura aos serviços de atenção básica à saúde visando a prevenção.


Palavras-chave


sífilis; estudo transversal; triagem; rastreamento