Última alteração: 2017-03-28
Resumo
INTRODUÇÃO: O Diabetes Mellitus (DM) é uma doença crônica de grande relevância para a saúde pública e para a sociedade, independentemente do grau de desenvolvimento econômico do país. A doença é dividida em tipo 1 e 2 sendo o DM2 mais comum e intimamente relacionado com o excesso de peso e o sedentarismo e correspondendo a mais de 90% dos casos da doença no mundo. A patologia pode resultar da secreção insuficiente ou inexistente de insulina, no caso 1, ou pela resistência que os tecidos passam a ter a esse hormônio, no caso 2, sendo ele indispensável para manutenção da glicemia no corpo. Segundo estudo realizado no Brasil, 12,4 milhões de pessoas foram acometidas por DM no ano de 2011 no país, e a previsão é que este número aumente para 19,6 milhões de pessoas até 2030.Entretanto, apesar do seu grande acometimento, estudo realizado em nove capitais brasileiras revelou que 46% dos pacientes não tinham conhecimento sobre a doença. Em relação aos problemas para a saúde do portador da patologia, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou em 1997 que, após 15 anos de doença, 2% dos indivíduos acometidos estarão cegos e 10% terão deficiência visual grave. Além disso, estimou que, no mesmo período de doença, 30 a 45% terão algum grau de retinopatia, 10 a 20%, de nefropatia, 20 a 35%, de neuropatia e 10 a 25% terão desenvolvido doença cardiovascular. Não apenas à saúde individual, os problemas relacionados com a doença também acarretam gastos governamentais elevados. Nesse sentido, os custos com medicamentos e tratamento do diabetes variam a quase 15% dos gastos nacionais em saúde.Em vista dessas análises percebeu-se a necessidade em investir em mais informação para diminuir essa incógnita sobre o diagnóstico e tratamento do diabetes, para minimizar os possíveis surgimentos de novos casos através de medidas preventivas e melhorar os cuidados básicos do diabético com saúde e, dessa forma, retardar o aparecimento de patologias associadas. Para propagar esse conhecimento pensou-se que levar a informação até a residência das pessoas seria uma das medidas mais eficazes de alertar os cidadãos sobre a doença. Levando em consideração esse objetivo, decidiu-se escolher como personagens dessa propagação de informações as Agentes Comunitárias de Saúde (ACS), por estarem diariamente em contato com os moradores da Unidade Básica de Saúde em que atuam. Entretanto, para que essa aproximação fosse positiva, pensou-se que primariamente as agentes deveriam passar por uma capacitação sobre o diabetes, apresentando sua fisiopatologia, medidas preventivas, fatores de risco e índices glicêmicos normais a elevados. OBJETIVOS: Ampliar o conhecimento das ACS acerca do Diabetes Mellitus, tanto do tipo 1 quanto do tipo 2, através de uma metodologia interativa e didática para poderem transmitir esse conhecimento aos moradores que visitam. METODOLOGIA: trata-se de trabalho descritivo, tendo como público-alvo 23 agentes comunitárias de saúde, que são profissionais pilares da ESF (Estratégia da Saúde e da Família), que interagem entre a comunidade e o Sistema Único de Saúde (SUS), capacitá-las sobre a doença em estudo levará a uma melhor atuação dessas profissionais nas áreas da prevenção, promoção e reabilitação das pessoas acometidas por essa enfermidade. A sequência de atividades visou comparar, através de questionários, o conhecimento das ACS antes e após a capacitação; aproximar os pacientes diabéticos da Unidade Básica de Saúde junto às agentes em mesma palestra utilizando mapas de conversação; compartilhar o cotidiano desses pacientes em perguntas sobre sua rotina, alimentação e tratamento medicamentoso; coletar índices glicêmicos dos participantes da oficina para alertar sobre possíveis valores acima dos níveis de referência normais; verificar a visão das agentes comunitárias de saúde sobre a capacitação oferecida; acompanhar um dia de visita domiciliária para avaliar se as informações aprendidas na intervenção foram assimiladas pelas ACS. Assim, foi realizado uma ação de caráter explicativo diretamente às agentes comunitárias de saúde da UBS Carlos Amorim, no município de Sorocaba-SP. Para a realização do projeto foram aplicados questionários de alguns conhecimentos sobre o diabetes antes e após uma capacitação feita pelos alunos e por uma nutricionista da empresa Lilly,que cedeu os mapas de conversação .Em primeira etapa apresentando a fisiopatologia, fatores de risco e epidemiologia.Em segunda etapa através de mapa de conversação contando com a presença de pacientes diabéticos que relataram suas principais dificuldades em lidar com a doença, dúvidas sobre aplicação correta da insulina e seu armazenamento, os quais receberam dicas para facilitar o dia-a-dia diante de crises hipoglicêmicas ou hiperglicêmicas. Os questionários eram idênticos no primeiro e no segundo dia de intervenção. Contavam com 10 questões de múltipla escolha e a pesquisa da opinião das agentes sobre a importância do projeto de capacitação oferecido a elas. RESULTADOS: Após computação dos resultados, foi observado aumento na porcentagem de pessoas que acertaram as 10 questões propostas pelo questionário na segunda etapa do projeto de intervenção. Antes, 30% das 23 agentes participantes, após, 33% das 15 agentes participantes. Somado a essa observação, as seguintes questões do questionário obtiveram aumento significativo de acertos após aplicação do projeto de intervenção: definição de diabetes; tipos de diabetes; sintomas do diabetes; atitude diante de uma crise hipoglicêmica; fatores de risco para o desenvolvimento do diabetes tipo 2. Entretanto, as questões que tratavam sobre os sintomas do diabetes descompensado e sobre mitos e verdades sobre a doença, decresceram em acertos após a aplicação do segundo questionário. Em seguida, com a realização do teste glicêmico apresentando os valores de referência, foi possível comparar índices normais e elevados entre os pacientes e promotoras de saúde participantes, percebendo que elas apresentavam índices normais e a maioria dos diabéticos, como era esperado, índices acima dos valores de referência, entretanto, aceitáveis devido a patologia e apenas um paciente com indícios de cetoacidose diabética, o qual foi encaminhado para atendimento emergencial. CONCLUSÃO: No final das atividades foi possível observar êxito na maioria dos objetivos propostos. O encontro dos pacientes com as agentes foi positivo, em que àqueles puderam compartilhar o dia-a-dia do de um diabético e os principais cuidados com sua saúde que muitas vezes não são percebidos ou não recebem a devida importância, como alimentação correta, ingestão de líquidos, prática de atividades físicas, entre outros. Assim, espera-se que as informações aprendidas no projeto de intervenção sejam compartilhadas entre agentes, pacientes diabéticos, familiares e comunidade, contribuindo para melhores prognósticos relacionados ao diabetes no bairro e para melhor qualidade de vida da população local.