Última alteração: 2017-03-28
Resumo
Introdução: Considera-se população em situação de rua (PSR) o grupo populacional heterogêneo que possui em comum a pobreza extrema, os vínculos familiares interrompidos ou fragilizados e a inexistência de moradia convencional regular, e que utiliza os logradouros públicos e as áreas degradadas como espaço de moradia e de sustento, de forma temporária ou permanente, bem como as unidades de acolhimento para pernoite temporário ou como moradia provisória. Dessa forma, a PSR, além de enfrentar uma variedade de barreiras para uso dos serviços de saúde, como a limitação, muitas vezes, tem dificuldade de identificar o local apropriado para procurar assistência. São poucas as equipes de saúde específicas e as ESF tradicionais, com a lógica hegemônica da territorialização rígida, nem sempre têm as portas abertas a esse grupo social. Os serviços de urgência, em sua maioria, são distantes e inacessíveis. Longas esperas podem significar perda de refeições ou acesso a abrigo. Processos burocráticos de registro que exigem identificação são fatores que desencorajam a busca. A falta de simpatia/sensibilidade da equipe ou a inabilidade de um único local atender à variedade de problemas apresentados pelos moradores de rua são barreiras adicionais. Estima-se que mais de 50 mil adultos estejam em situação de rua. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, essa população é composta predominantemente por homens, negros e que exercem alguma atividade remunerada e informal. Entre os principais motivos que os levaram à situação de rua estão o alcoolismo/drogadição, o desemprego e os conflitos familiares. Viver na rua expõe as pessoas a diversos fatores de risco que ampliam sua vulnerabilidade como: violências, preconceito, invisibilidade social, dificuldade de acesso a políticas públicas, alimentação incerta e baixa disponibilidade de água potável, privação de sono e afeto e a dificuldade de adesão a tratamento de saúde. Sem uma moradia segura e adequada, essas pessoas não conseguem manter hábitos saudáveis e têm a saúde exposta aos mais diversos agravos. Entre as doenças infectocontagiosas mais comuns que atingem os desabrigados estão a síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS), a tuberculose pulmonar, as infecções por vírus da hepatite B e C e as cutâneas. A vacinação caracteriza-se por uma ação simples e de grande eficácia na prevenção de doenças imunopreveníveis sendo uma das principais ações de promoção da saúde inserida no âmbito da atenção básica. Para realizar estas ações, faz-se necessário que existam serviços que atuem nos territórios das pessoas em situação de rua, entendendo que o trabalho nesses ambientes proporciona a essa população um cuidado mais eficaz, posto que o técnico passa a conhecer melhor a população, vincula-se mais, de forma a identificar suas carências e proporciona um cuidado de acordo com as suas necessidades. O município de Sorocaba/SP conta em sua estrutura com um centro de referência em assistência social voltada à atenção a população em situação de rua. Conhecido como Centro POP, o local é um serviço especializado no atendimento de pessoas em situação de rua, assistência psicossocial, atividades de convivência e busca da promoção do resgate ou reconstrução de vínculos familiares. Diariamente, cerca de 50 pessoas podem desfrutar dos serviços oferecidos como alimentação, higiene pessoal, orientações sobre documentação civil e encaminhamento para entidade conveniadas. Contudo, a procura por serviços de saúde depende da iniciativa do próprio cidadão em situação de rua que não recorre aos serviços por desconhecer o que é ofertado e/ou por vergonha de sua situação social. Segundo estudos, o cuidado geralmente centra-se no apoio e na disponibilidade de alguns agentes redutores de danos ou medicamentos. Não parece haver uma rede efetiva e contínua de organização de políticas públicas de saúde e de trabalho para atender as necessidades de saúde das pessoas em situação de rua. O presente estudo justifica-se na necessidade de possibilitar a informação e conscientizar indivíduos em situação de rua das ações de promoção da saúde com imunização preconizada no calendário vacinal do adulto, atentando para que sejam reconhecidas suas vulnerabilidades e que se comprometam com a vida e a cidadania, independente do território e situação em que se encontram. Objetivos: Promover conhecimento sobre vacinação à população em situação de rua que frequenta o Centro POP Sorocaba, a fim de estimular a procura ao Centro de Saúde Escola ou outra Unidade Básica de Saúde para aplicação das vacinas preconizadas. Assim como, verificar a existência da carteira de vacinação dessa população e traçar seu perfil vacinal. Orientar/Discutir sobre as doenças preveníeis pela vacinação, como difteria, tétano, hepatite B, influenza, sarampo, caxumba e rubéola. Iniciar e/ou completar o esquema de vacinação, conforme preconizado para as faixas etárias e situações especiais, e sensibilizar quanto aos cuidados com a carteira de vacinação. Metodologia: Serão realizadas ações relacionadas à vacinação, no Centro POP Sorocaba e no CSE, com a participação da população em situação de rua que frequenta o Centro POP Sorocaba. Trata-se de um estudo descritivo. No Centro POP será feito um levantamento para averiguar quem possui carteira de vacinação e os dados que constam nesta. Também serão feitas, através de metodologia ativa, como rodas de conversa e dinâmicas, orientações/conscientizações sobre as doenças imunopreveníveis (difteria, tétano, hepatite B, influenza, sarampo, caxumba e rubéola) e suas respectivas vacinas. Provavelmente em 3-4 encontros. No CSE serão aplicadas as vacinas, conforme necessidade de cada indivíduo. Essas aplicações serão realizadas pelos alunos e funcionários do CSE. Além do estímulo durante as intervenções no Centro POP para procurarem o CSE ou outra Unidade Básica de Saúde para vacinação, também terão acompanhamento dos alunos, para a ida do Centro POP ao CSE, em 3 dias, os quais serão espaçados com tempo necessário para aplicação das doses recomendadas. O trabalho será avaliado através do perfil vacinal traçado (dados apresentados em carteiras de vacinação), das vacinas aplicadas (número, início e complementação dos esquemas), da participação, de maneira subjetiva, da população participante, através de perguntas abertas sobre doenças e vacinas. Também será traçado o perfil do público-alvo através de variáveis como idade, sexo, etnia, nível de escolaridade e comorbidades. Resultados esperados: Os resultados esperados a curto prazo, isto é, durante o período do projeto, consistem na obtenção do perfil vacinal da população-alvo, conhecimento sobre doenças imunopreveníveis e suas respectivas vacinas, prevenção de doenças através da vacinação. Os resultados a longo prazo podem ser entendidos como conscientização da população do Centro POP sobre a importância da vacinação e manutenção da situação vacinal, bem como contribuição para o aumento do número de imunizados no CSE, aumento da adesão aos programas de vacinação do Sistema Único de Saúde e diminuição da epidemiologia de casos de doenças imunopreveníveis. Outro aspecto a ser citado e do qual espera-se ter proveito é melhorar o entendimento da população sobre o sistema de saúde, de forma a contribuir para a atenção primária de saúde e a desafogar a atenção terciária de casos de baixa complexidade. Através do comparecimento da população às Unidades Básicas de Saúde, para promoção, proteção e recuperação da saúde. São esperadas algumas dificuldades na aplicação do projeto e na obtenção dos dados vacinais, pois muitos moradores em situação de rua têm dificuldades em manter documentos. Espera-se que poucos apresentem carteira de vacinação, dificultando a realização do perfil vacinal.