, Fórum PAS - Prática em Atenção à Saúde 2016

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Importância da informação e do acesso à imunização para população em situação de rua, no município de Sorocaba, São Paulo, Brasil
Rosana Maria Paiva dos Anjos, Fabio Moreira Campos, Fernanda Martinghi Spinola, Fernando Eugênio de Araújo Aguiar, Flávia Gasperini, Gabriel Crenitte Sanches

Última alteração: 2017-03-28

Resumo


Introdução: Considera-se população em situação de rua (PSR) o grupo populacional heterogêneo que possui em comum a pobreza extrema, os vínculos familiares interrompidos ou fragilizados e a inexistência de moradia convencional regular, e que utiliza os logradouros públicos e as áreas degradadas como espaço de moradia e de sustento, de forma temporária ou permanente, bem como as unidades de acolhimento para pernoite temporário ou como moradia provisória. Dessa forma, a PSR, além de enfrentar uma variedade de barreiras para uso dos serviços de saúde, como a limitação, muitas vezes, tem dificuldade de identificar o local apropriado para procurar assistência. São poucas as equipes de saúde específicas e as ESF tradicionais, com a lógica hegemônica da territorialização rígida, nem sempre têm as portas abertas a esse grupo social. Os serviços de urgência, em sua maioria, são distantes e inacessíveis. Longas esperas podem significar perda de refeições ou acesso a abrigo. Processos burocráticos de registro que exigem identificação são fatores que desencorajam a busca. A falta de simpatia/sensibilidade da equipe ou a inabilidade de um único local atender à variedade de problemas apresentados pelos moradores de rua são barreiras adicionais. Estima-se que mais de 50 mil adultos estejam em situação de rua. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, essa população é composta predominantemente por homens, negros e que exercem alguma atividade remunerada e informal. Entre os principais motivos que os levaram à situação de rua estão o alcoolismo/drogadição, o desemprego e os conflitos familiares. Viver na rua expõe as pessoas a diversos fatores de risco que ampliam sua vulnerabilidade como: violências, preconceito, invisibilidade social, dificuldade de acesso a políticas públicas, alimentação incerta e baixa disponibilidade de água potável, privação de sono e afeto e a dificuldade de adesão a tratamento de saúde. Sem uma moradia segura e adequada, essas pessoas não conseguem manter hábitos saudáveis e têm a saúde exposta aos mais diversos agravos. Entre as doenças infectocontagiosas mais comuns que atingem os desabrigados estão a síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS), a tuberculose pulmonar, as infecções por vírus da hepatite B e C e as cutâneas. A vacinação caracteriza-se por uma ação simples e de grande eficácia na prevenção de doenças imunopreveníveis sendo uma das principais ações de promoção da saúde inserida no âmbito da atenção básica. Para realizar estas ações, faz-se necessário que existam serviços que atuem nos territórios das pessoas em situação de rua, entendendo que o trabalho nesses ambientes proporciona a essa população um cuidado mais eficaz, posto que o técnico passa a conhecer melhor a população, vincula-se mais, de forma a identificar suas carências e proporciona um cuidado de acordo com as suas necessidades. O município de Sorocaba/SP conta em sua estrutura com um centro de referência em assistência social voltada à atenção a população em situação de rua. Conhecido como Centro POP, o local é um serviço especializado no atendimento de pessoas em situação de rua, assistência psicossocial, atividades de convivência e busca da promoção do resgate ou reconstrução de vínculos familiares. Diariamente, cerca de 50 pessoas podem desfrutar dos serviços oferecidos como alimentação, higiene pessoal, orientações sobre documentação civil e encaminhamento para entidade conveniadas. Contudo, a procura por serviços de saúde depende da iniciativa do próprio cidadão em situação de rua que não recorre aos serviços por desconhecer o que é ofertado e/ou por vergonha de sua situação social. Segundo estudos, o cuidado geralmente centra-se no apoio e na disponibilidade de alguns agentes redutores de danos ou medicamentos. Não parece haver uma rede efetiva e contínua de organização de políticas públicas de saúde e de trabalho para atender as necessidades de saúde das pessoas em situação de rua. O presente estudo justifica-se na necessidade de possibilitar a informação e conscientizar indivíduos em situação de rua das ações de promoção da saúde com imunização preconizada no calendário vacinal do adulto, atentando para que sejam reconhecidas suas vulnerabilidades e que se comprometam com a vida e a cidadania, independente do território e situação em que se encontram. Objetivos: Promover conhecimento sobre vacinação à população em situação de rua que frequenta o Centro POP Sorocaba, a fim de estimular a procura ao Centro de Saúde Escola ou outra Unidade Básica de Saúde para aplicação das vacinas preconizadas. Assim como, verificar a existência da carteira de vacinação dessa população e traçar seu perfil vacinal. Orientar/Discutir sobre as doenças preveníeis pela vacinação, como difteria, tétano, hepatite B, influenza, sarampo, caxumba e rubéola. Iniciar e/ou completar o esquema de vacinação, conforme preconizado para as faixas etárias e situações especiais, e sensibilizar quanto aos cuidados com a carteira de vacinação. Metodologia: Serão realizadas ações relacionadas à vacinação, no Centro POP Sorocaba e no CSE, com a participação da população em situação de rua que frequenta o Centro POP Sorocaba. Trata-se de um estudo descritivo. No Centro POP será feito um levantamento para averiguar quem possui carteira de vacinação e os dados que constam nesta. Também serão feitas, através de metodologia ativa, como rodas de conversa e dinâmicas, orientações/conscientizações sobre as doenças imunopreveníveis (difteria, tétano, hepatite B, influenza, sarampo, caxumba e rubéola) e suas respectivas vacinas. Provavelmente em 3-4 encontros. No CSE serão aplicadas as vacinas, conforme necessidade de cada indivíduo. Essas aplicações serão realizadas pelos alunos e funcionários do CSE. Além do estímulo durante as intervenções no Centro POP para procurarem o CSE ou outra Unidade Básica de Saúde para vacinação, também terão acompanhamento dos alunos, para a ida do Centro POP ao CSE, em 3 dias, os quais serão espaçados com tempo necessário para aplicação das doses recomendadas. O trabalho será avaliado através do perfil vacinal traçado (dados apresentados em carteiras de vacinação), das vacinas aplicadas (número, início e complementação dos esquemas), da participação, de maneira subjetiva, da população participante, através de perguntas abertas sobre doenças e vacinas. Também será traçado o perfil do público-alvo através de variáveis como idade, sexo, etnia, nível de escolaridade e comorbidades. Resultados esperados: Os resultados esperados a curto prazo, isto é, durante o período do projeto, consistem na obtenção do perfil vacinal da população-alvo, conhecimento sobre doenças imunopreveníveis e suas respectivas vacinas, prevenção de doenças através da vacinação. Os resultados a longo prazo podem ser entendidos como conscientização da população do Centro POP sobre a importância da vacinação e manutenção da situação vacinal, bem como contribuição para o aumento do número de imunizados no CSE, aumento da adesão aos programas de vacinação do Sistema Único de Saúde e diminuição da epidemiologia de casos de doenças imunopreveníveis. Outro aspecto a ser citado e do qual espera-se ter proveito é melhorar o entendimento da população sobre o sistema de saúde, de forma a contribuir para a atenção primária de saúde e a desafogar a atenção terciária de casos de baixa complexidade. Através do comparecimento da população às Unidades Básicas de Saúde, para promoção, proteção e recuperação da saúde. São esperadas algumas dificuldades na aplicação do projeto e na obtenção dos dados vacinais, pois muitos moradores em situação de rua têm dificuldades em manter documentos. Espera-se que poucos apresentem carteira de vacinação, dificultando a realização do perfil vacinal.


Palavras-chave


vacinação, promoção de saúde, população em situação de rua