, Fórum PAS - Prática em Atenção à Saúde 2017

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Gestantes, DST e drogas de abuso
Maria Valéria Pavan, Emanuela Yumi Fugisawa de Mello, Felipe Alexandre Fogaça Ferreira, Felipe Jordan Brino, Felipe Yoneda Reyes, Fernanda Folla Pompeu Marques, Fernanda Milani, Fernanda Rodrigues Ferrari Ruiz, Flávio de Fava Sanches

Última alteração: 2017-12-07

Resumo


Introdução: A gestação é um fenômeno fi­siológico e sua evolução se dá na maior parte dos casos sem intercorrências. Apesar desse fato, há uma parcela pequena de gestantes que podem sofrer algum agravo ou desenvolver algum problema e apresentar maiores probabilidades de evolução desfavorável, tanto para o feto como para a mãe. Existem dois fatores que podem ser de grande impacto na gestação e trazer grandes consequências: o uso de drogas lícitas e ilícitas e as doenças sexualmente transmissíveis (DSTs).A gestante que costuma usar álcool pode ter abortamento e o feto pode apresentar lesões orgânicas e neurológicas. Filhos de mães tabagistas apresentam menor peso ao nascerem, além do aumento da mortalidade fetal e neonatal, maior frequência de abortos espontâneos e malformações fetais. Drogas ilícitas como maconha, cocaína, merla e crack são consideradas deletérias à gestante e ao feto. Alterações gestacionais, como imunossupressão relativa, mudanças anatômicas da gravidez e alterações hormonais, podem alterar o curso das doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e podem ocasionar grande riscos para o feto. É necessário abordar, durante o período gestacional, as principais DSTs, sua prevenção e tratamento, assim como os riscos do uso de drogas lícitas e ilícitas. Métodos: O projeto foi realizado na UBS – CSE em Sorocaba, incluindo apenas as gestantes que realizavam o pré-natal no local. Inicialmente havia o intuito de ter uma abrangência maior incluindo outros centros de referência para gestantes das proximidades da UBS, mas devido a algumas dificuldades encontradas ao longo do trabalho, a pesquisa teve de ser restringida apenas a UBS. Realizou-se, então, um estudo transversal com posterior intervenção através de ligação telefônica, e com os dados obtidos nas fichas de cadastro da UBS fez-se a pesquisa anônima, utilizando como único dado pessoal a idade da paciente. Após a aplicação do questionário em anexo ao trabalho, os alunos comentavam e corrigiam, conforme necessário as respostas das pacientes. Todas as gestantes que se prontificaram a responder também demonstraram vontade em saber se tinham acertado ou não as respostas das questões propostas. Foi disponibilizado na UBS na sala da ginecologia um panfleto como material informativo com relação ao uso de drogas durante a gestação. Além disso, utilizou-se a pesquisa bibliográfica em plataformas de pesquisa como PubMed e BVS para a melhor compreensão do tema discutido e estruturação do trabalho. Resultados: O número total de gestantes que conseguimos contato e que estavam realizando pré-natal no CSE foi de 68, apesar da tentativa de comunicação com todas as registradas no sistema. Embora apenas 2 tenham se negado a responder, algumas dificuldades apareceram: 22 gestantes (30.5%), não atenderam mesmo após 3 tentativas de contato, em dias e horários diferentes; 02 (4,5%) não tinham número em sua ficha e 13 (29,5%) apresentavam um  número que constava como não existente. Foram criados códigos para identificar gestantes que não participariam da pesquisa por algum motivo e, com isso, foi computado que 01 (2,3%) gestante sofreu aborto espontâneo, enquanto 07 (15,9%) das mulheres já estavam no puerpério.Encontramos gestantes de 17 à 43 anos e a grande maioria se encontrava já no terceiro trimestre de gestação. Na prática, foram entrevistadas 21 mulheres, das quais 71,4% não conversaram sobre tais assuntos com enfermeiros ou médicos durante o pré-natal. Quando perguntadas sobre fumar cigarro 61,9% disseram entender que não se deve fumar durante o período gestacional; quanto à maconha 95,2% disseram reconhecer o malefício; bem como em relação ao uso de bebidas alcoólicas, 95,2 disseram reconhecer o malefício. A grande maioria respondeu corretamente, sendo a maior falta de informação relacionada ao tabagismo. Com relação ao uso de camisinha, 90,5% afirmaram que seu uso durante a gestação é necessário para evitar a transmissão de doenças e 95,2% sabem que a relação sexual  é permitida nesse período.

As questões que mais geraram dúvidas e evidenciou desinformação por grande parte das gestantes foram sobre as doenças sexualmente transmissíveis (DSTs): houve pouco reconhecimento da hepatite B como uma DST, por apenas 47,6% das entrevistadas; enquanto que, simultaneamente,  havia reconhecimento errôneo sobre a hepatite C como uma DST, por 33,3% das entrevistadas*. Quando perguntadas sobre a cura das doenças, dados preocupantes foram encontrados, pois 68,8%, 50% e 37,5% das gestantes responderam que havia cura para infecção por HPV e para as hepatites B e C, respectivamente e 6,3% que havia cura para AIDS.Devido à sua rara transmissão por via sexual, a patologia não é inclusa na categoria DST. Sua principal transmissão se dá por via hematogênica. Discussão/ Conclusão: Pudemos perceber durante a execução e coleta de dados do projeto que a maioria das gestantes sabem dos riscos e malefícios causados pelo uso de drogas lícitas e ilícitas durante a gravidez. A maioria também sabe sobre as principais DSTs, no entanto se equivocam sobre seus respectivos tratamentos e cura. Uma das grandes ressalvas do projeto é sobre a sífilis. Apesar das amostragens apontarem o conhecimento da patologia como uma DST e da sua cura, as gestantes não reconheciam suas principais manifestações, fases ou danos (tanto à si mesmas quanto aos fetos). Outro ponto que foi discutido pelos alunos durante o encerramento da intervenção foi sobre a deficiente comunicação dos tópicos abordados no projeto (uso de drogas lícitas e ilícitas e doenças sexualmente transmissíveis – DSTs) com médicos e enfermeiros, bem como a falta de divulgação de informações sobre os assuntos no ambiente da UBS. Isso evidencia um problema básico, que pode estar acontecendo por uma relação médico/enfermeiro paciente com pouca confiança ou por um lapso durante as consultas. Independente da causa, isso serve como possível explicação para a falta de conhecimento e informação demonstrada por parte das entrevistadas, como para um possível distanciamento das gestantes da unidade.Existe um grande número de gestantes que julgam conhecer os efeitos do uso de drogas lícitas e ilícitas e os riscos de doenças sexualmente transmissíveis na gravidez, porém muitas vezes essas informações ocorrem de maneira superficial ou errada, o que contribui para o elevado número de prematuros, óbitos neonatais e má formações fetais. Dessa forma, para uma gestação sem intercorrências e confortável, a disseminação do conhecimento básico sobre tais assuntos deve ser realizada de forma contínua, principalmente na unidade. Concluímos que é essencial a melhora da comunicação dos integrantes da UBS (médicos, enfermeiros e estudantes) para com as gestantes, a fim de que com o maior acesso à informação e ao conhecimento, haja a melhora da qualidade e da assiduidade no pré-natal e redução de complicações durante a gestação e no pós-parto.

Palavras-chave


gestantes; drogas ilícitas; DSTs, prematuridade