, Fórum PAS - Prática em Atenção à Saúde 2017

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Avaliação do nível de conhecimento da população do bairro Vitória Régia em Sorocaba sobre sífilis
Willy Marcus Gomes França, Rodolfo Passos Almeida, Thiago Broggin Dutra Rodrigues, Thiago Eidi Miyake, Tiago Murari, Túlio Melo

Última alteração: 2017-12-07

Resumo


Introdução: O controle de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) é um problema do mundo todo e, apesar do avançado tecnológico nessa área, casos novos continuam crescendo, sendo as regiões de maior pobreza as mais atingidas. A Sífilis é uma IST que tem ganhado uma especial notoriedade no cenário nacional, uma vez que o Ministério da Saúde, em outubro de 2016, decretou epidemia dessa doença no país. Isso vem ocorrendo devido ao início precoce de relações sexuais, à não utilização de métodos de proteção e, muito também, do desconhecimento dessas doenças por parte da população. É importante destacar que o aumento da expectativa de vida associada à maior disponibilidade de medicamentos que permitem o prolongamento da vida sexual propiciaram alterações no comportamento sexual do idoso, que também possui maior resistência ao uso de preservativos e menor conhecimento sobre sexo seguro, tornando essa faixa etária mais vulnerável às ISTs. Por esse motivo, é importante abranger nessas pesquisas sobre IST o grupo de idosos. Objetivo: Identificar o nível de conhecimento da população sobre a prevenção da Sífilis no Bairro Vitória Régia, em Sorocaba. Métodos: O presente estudo descritivo e quantitativo é do tipo inquérito, realizada com amostragem aleatória, totalizando 50 entrevistados. No dia 16 de outubro de 2017, na UBS do Vitória Régia, no período da manhã, foi aplicado um questionário composto por dados de identificação (nome, idade, sexo e escolaridade) e cinco questões a respeito dos conhecimentos pessoais sobre Sífilis, com respostas “SIM” OU “NÃO”. Os entrevistados foram indagados sobre conhecimentos superficiais a respeito de sinais e sintomas, prevenção, transmissão e repercussão relacionadas à Sífilis. A abordagem se deu individualmente com os pacientes e acompanhantes que aguardavam atendimento médico, agendamento de consultas, além de coleta e agendamento de exames na sala de espera da UBS. Os entrevistados consistiam em um grupo heterogêneo em relação a idade e sexo. Os dados coletados foram analisados em planilhas do software Microsoft Excel 2016 e foi calculado o percentual da amostra segundo suas características sociodemográficas (idade, sexo e escolaridade) e o percentual de respostas “SIM” ou “NÃO” de cada questão. Resultados: Os entrevistados totalizaram 50 pessoas. Em relação aos valores sociodemográficos, foram indagadas 34 pessoas do sexo feminino (68%) e 16 do sexo masculino (32%); a média de idade foi de 48 anos, sendo a idade máxima 75 anos e a mínima 23 anos, sendo 6 pessoas entre os 20-29 anos (12%), 6 entre os 30-39 (12%), 14 entre os 40-49 (28%), 14 entre os 50-59 (28%) e 10 com idade igual ou superior aos 60 anos (20%). Também foi observado o percentual de indivíduos por escolaridade, sendo que foram abordadas 3 pessoas que se declararam analfabetas (6%), 13 pessoas com ensino fundamental incompleto (26%), 12 com ensino fundamental completo (24%), 5 pessoas com médio incompleto (10%), 12 pessoas com ensino médio completo (24%), 1 pessoa com ensino superior incompleto (2%) e 4 pessoas com ensino superior completo (8%). Na primeira pergunta (“você sabe o que é Sífilis?”), houve empate entre as respostas “SIM” (50%) e “NÃO”(50%). Na segunda pergunta (“você conhece algum sintoma/sinal da Sífilis”?), 12 pessoas (24%) responderam “SIM” e 38 (76%) responderam “NÃO”. Os sinais e sintomas citados foram feridas no órgão genital/cancro (citadas cinco vezes), ferida no corpo (citada quatro vezes), corrimento (citado três vezes), vazamento de pus (citado uma vez), manchas nas mãos (citadas uma vez), coceira no corpo (citada uma vez). Na terceira pergunta (“você sabe como a Sífilis é transmitida?”), 26 pessoas (52%) responderam “SIM” e 24 pessoas (48%) responderam “NÃO”. Entre os que responderam “SIM”, a via sexual como forma de transmissão foi citada por 24 pessoas (92%) e, contato com o sangue, 2 pessoas (8%). Na quarta pergunta (“você sabe como se previne a Sífilis?”), 24 pessoas (48%) responderam “SIM” e 26 (52%) responderam “NÃO”. Entre as pessoas que responderam “SIM”, o uso do preservativo foi citado por 22 delas (92%). Na quinta pergunta (“você sabe se a Sífilis tem alguma repercussão para gestante e/ou feto?”), 22 pessoas (44%) responderam “SIM” e 28 (56%) responderam “NÃO”. Desempenho por faixa etária: entre as pessoas com menos de 60 anos, 55% responderam que sabem o que é Sífilis, enquanto nas com mais de 60 anos apenas 30% disseram saber. No grupo abaixo de 60 anos, 30% afirmaram conhecer algum sinal/sintoma de Sífilis, já no grupo acima de 60 anos, todos disseram desconhecer os sinais e sintomas da doença. Em relação à transmissão, no grupo abaixo de 60 anos, 57,5% afirmaram conhecer o modo de transmissão, enquanto entre o grupo acima de 60 anos, apenas 30% declaram conhecer. Sobre o modo de prevenção, 55% das pessoas abaixo de 60 anos afirmaram conhecer, enquanto apenas 20 % das pessoas acima de 60 anos declararam saber. Já em relação à existência de repercussões da Sífilis para gestante e/ou feto, no grupo abaixo de 60 anos, 45% afirmaram que elas existem, enquanto no grupo acima de 60 anos 40% afirmaram existir. Desempenho por sexo: tanto no grupo masculino quanto feminino, 50% afirmaram saber o que é Sífilis. No grupo feminino, 26,5% afirmaram conhecer algum sinal/sintoma, enquanto no grupo masculino esse número foi de 19%. Entre as mulheres, 56% afirmaram conhecer o modo de transmissão e 50% disseram conhecer o modo de prevenção. Já entre os homens, 44% relataram saber a forma de transmissão e 44% afirmaram saber a forma de prevenção. Em relação à existência de repercussões da Sífilis para gestante e/ou feto, 53% das mulheres e 25% dos homens afirmaram que elas existem. Desempenho por escolaridade: No grupo com ensino médio completo, 71% afirmaram saber o que é Sífilis, enquanto no grupo que não possui ensino médio 63% disseram saber. Entre as pessoas com ensino médio completo, 47% afirmaram conhecer algum sinal/sintoma da Sífilis, enquanto no grupo sem ensino médio o percentual foi de 12%. Em relação a transmissão e prevenção, 71% das pessoas com ensino médio completo afirmaram conhecer a via de transmissão e 76,5% disseram conhecer a forma de prevenção. Já entre as pessoas sem ensino médio, 42% afirmaram conhecer a via de transmissão e 33% disseram conhecer a forma de prevenção. Em relação à existência de repercussões da Sífilis para gestante e/ou feto, 41% das pessoas com ensino médio completo e 36% das pessoas sem ensino médio afirmaram que elas existem. Discussão: no estudo houve predominância de mulheres, o que está de acordo com o fato de as mulheres procurarem mais os serviços de saúde do que os homens, em consonância com a literatura. O estudo também observou o desconhecimento completo do que é a Sífilis em metade da amostra, o que pode ser explicado pela baixa abordagem do tema na Estratégia de Saúde da Família, conforme já observado na literatura. Além disso, é de se notar que embora 50% dos entrevistados tenham respondido que sabia o que era a doença, na pergunta subsequente 24% do total souberam apresentar algum sinal/sintoma da mesma, o que, no final das contas, coloca em cheque a resposta positiva à primeira pergunta, de pelo menos 26% dos entrevistados. Vale ressaltar que o desconhecimento dos sinais/sintomas pela maioria dos entrevistados mostra o baixo grau de informação a respeito da doença, o que dificultaria possíveis infectados a procurarem o serviço de saúde em caso de suspeita de infecção. Aproximadamente metade da amostra respondeu desconhecer o modo de transmissão e prevenção da Sífilis, o que torna esse grupo vulnerável à contaminação por Sífilis, sem contar com o fato de que nem todos os que afirmaram conhecer o modo de prevenção sabiam que o uso de preservativos constituía uma dessas formas de se prevenir a doença (8%) e ninguém citou o pré-natal como forma de prevenção da transmissão vertical.  Menos da metade da amostra sabia que a Sífilis pode levar a complicações para gestante e feto, o que torna as mulheres gestantes mais vulneráveis à exposição e aos danos da doença por não conhecerem os riscos associados. Em relação ao desempenho por faixa etária, foi visível o menor conhecimento da população acima de 60 anos em relação ao grupo abaixo de 60 anos, o que demonstra um maior risco comportamental e menor percepção da vulnerabilidade desse grupo. Comparando-se os grupos masculino e feminino, as mulheres apresentaram resultados mais satisfatórios que os homens. Sobre o desempenho por escolaridade, foi bastante considerável a diferença de conhecimento entre o grupo com ensino médio completo e sem ensino médio. Essa diferença reafirma o impacto da educação como modo de prevenção de doenças. Conclusão: No presente estudo, as mulheres demonstraram maior conhecimento em relação à transmissão, prevenção e complicações da Sífilis. O mesmo aconteceu com o grupo abaixo de 60 anos e com os que possuem ensino médio completo.


Palavras-chave


sífilis; epidemiologia; inquéritos; questionários

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