, Fórum PAS - Prática em Atenção à Saúde 2017

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Avaliação de sobrepeso e obesidade infantil: relação com o tipo de aleitamento no bairro de Aparecidinha, Sorocaba
Luis Antônio Pires, Alana Rodrigues Alves, Amanda de Carvalho Hipólito, Ana Cristina Pithon Curi, Beatriz Alves Dinamarco, Bruna Calzzetta, Bruno Vaz de Castro

Última alteração: 2017-12-07

Resumo


Introdução: Sobrepeso e obesidade infantil apresentam elevada prevalência e caráter multifatorial. Mundialmente, em 2014, 41 milhões de crianças abaixo de 5 anos pertenciam ao grupo de sobrepesos e obesos. A problemática da alta prevalência da obesidade infantil não diz respeito somente às famílias de maior poder aquisitivo, mas pertence também às de menor. Trata-se de um problema de saúde pública seja para países desenvolvidos, seja para os subdesenvolvidos. A projeção da Organização Mundial da Saúde (OMS), nesse caso, sugere cerca de 75 milhões de crianças com sobrepeso e obesidade, para o ano de 2025. No Brasil, em 2009, 34,8% dos meninos de 5 a 9 anos classificaram-se com excesso de peso e 16,6%, obesidade contra 32% e 11,8% em relação a meninas na mesma faixa etária, respectivamente. Quanto a Sorocaba, as crianças de 5 a 9 anos em 2006, que apresentavam 12,2% de sobrepeso e 10,1% de obesidade. Observou-se que o desenvolvimento de sobrepeso e obesidade pode estar relacionado com o tipo de aleitamento. Cada mês de amamentação materna está associado com redução de 4% no risco de desenvolvimento do excesso de peso. Dessa forma, sugere-se que o rápido ganho de peso nos primeiros anos de vida pode ser fator de risco para excesso de peso na infância. É dizer que crianças com rápido ganho de peso no primeiro ano de vida apresentaram nove vezes mais chance de serem obesas e 31 vezes mais chance de serem extremamente obesas durante a primeira infância. Objetivos: Avaliar a prevalência de sobrepeso e obesidade em lactentes em Aparecidinha, Sorocaba-SP, no período de 01 de janeiro de 2016 a 31 de novembro de 2017, e relacionar com o tipo de aleitamento. Métodos: Foi realizado um estudo individuado observacional transversal no período de 01 de janeiro de 2016 a novembro de 2017 por meio da análise de prontuários de crianças entre 0 a 5 anos da Unidade Básica de Saúde (UBS) de Aparecidinha. A partir desses dados, a amostra foi caracterizada em sexo, idade, peso, altura, IMC e verificados a prevalência de sobrepeso e de obesidade e relação com o tipo de aleitamento durante os períodos de recém-nascido e lactente.  Resultados: Foram avaliados 581 prontuários de crianças da Unidade Básica de Saúde de Aparecidinha. Dentro dos 581 prontuários avaliados obteve-se 51% de crianças do sexo masculino e 49% do sexo feminino. Evidenciando uma população amostral equilibrada em relação ao sexo. Ressaltando que a escolha dos prontuários foi feita de forma aleatória. Havia 509 prontuários com a faixa etária da última consulta registrada. As crianças foram divididas em quatro faixas etárias. Os resultados obtidos foram: 21% de 1 a 6 meses; 25% de 7 a 12 meses; 22% de 13 a 18 meses e 32% de 19 a 24 meses. Quanto ao peso ao nascimento, apenas 510 prontuários estavam preenchidos. O peso do recém nascido pode ser classificado como: extremo baixo peso (<1000g), muito baixo peso (1000 a 1499g), baixo peso (1500 a 2499g), peso insuficiente (2500 a 2999g), peso adequado (3000 a 3999g) e macrossômico (>4000g). Apenas uma criança apresentou extremo baixo peso (0%), 1% apresentou muito baixo peso e 7%, baixo peso. Além disso, 25% tiverem peso insuficiente, 62% apresentaram peso adequado e somente 5% nasceram macrossômicos. Quanto à amamentação, foram avaliados 510 prontuários com os dados sobre o aleitamento materno. Foi considerado amamentação exclusiva, os lactentes que receberam apenas leite materno até os seis meses. E destes, apenas 33%, 169 crianças receberam aleitamento materno exclusivo, 270 receberam amamentação mista (leite materno e artificial), 19 não receberam aleitamento materno e 52 crianças não tinham a informação sobre amamentação descrita no prontuário. Foi avaliado o último peso das crianças descrito nos prontuários, que se referia a última consulta do PAC. Cada peso era avaliado segundo a escala Z Escore da OMS, já utilizada na UBS. Foram classificadas as crianças pelos percentis: abaixo do -3:Extremo Baixo Peso, abaixo do -2: Muito Baixo Peso, até -1: baixo peso, entre -1,0,+1: Eutrófico, acima do +1 até +2 Sobrepeso, e acima de +2 Obeso. Discussão: A obesidade infantil possui incidência significativa e crescente e pode determinar diversas complicações na infância e na idade adulta. Está presente nas diferentes faixas econômicas no Brasil. Especialmente na infância, o manejo é dificultado pois as mudanças de hábitos depende da disponibilidade dos pais, além de uma falta de entendimento da criança a respeito das consequências do sobrepeso e da obesidade. De acordo com relatos da OMS, a prevalência de obesidade infantil tem crescido em torno de 10 a 40% na maioria dos países europeus nos últimos 10 anos. A tendência é de que ocorra mais frequentemente no primeiro ano de vida, entre 5 e 6 anos e na adolescência. Nesse contexto, a obesidade faz parte de um conjunto formado por hábitos alimentares e seus fatores externos (unidade familiar e suas características, atitudes de pais e amigos, valores sociais e culturais, mídia, alimentos rápidos, conhecimentos de nutrição e manias alimentares) e fatores internos (necessidades e características psicológicas, imagem corporal, valores e experiências pessoais, autoestima, preferências alimentares, saúde e desenvolvimento psicológico). As comorbidades associadas ao diabetes como o aumento do colesterol sérico são fatores de risco para doença coronariana. Isto é, o sobrepeso triplica o risco de desenvolvimento de diabetes mellitus tipo 2, dislipidemia, promovendo aumento de colesterol, triglicerídeos e redução da fração HDL colesterol. A aterosclerose tem início na infância, com o depósito de colesterol na íntima das artérias musculares, formando a estria de gordura. Essas estrias nas artérias coronarianas de crianças podem, em alguns indivíduos, progredir para lesões ateroscleróticas avançadas em poucas décadas, sendo este processo reversível no início do seu desenvolvimento. O conjunto desses fatores de risco podem predispor para doença coronariana. Este estudo visava avaliar cerca de 600 prontuários de crianças entre 0 e 5 anos. Quando iniciou-se o processo de coleta de dados, notou-se que, em alguns prontuários, não existiam informações suficientes para correlacionar a obesidade ou o sobrepeso com a amamentação ou qualquer outro fator, pois não havia registros. Por isso, descartou-se cerca de 91 prontuários. Além disso, o maior número de dados (99%) era sobre crianças de 0 a 2 anos. Por isso, o enfoque do trabalho foi modificado para crianças nessa faixa etária, o que muito difere de diversos estudos realizados em outros trabalhos, já que a obesidade/sobrepeso infantil quase sempre abrangia faixas etárias mais avançadas, principalmente entre 5 e 9 anos de idade. Conclusão: Foi possível caracterizar 501 crianças do Bairro de Aparecidinha em relação ao risco obesidade e sobrepeso futuro, pois estão acima do percentil adequado. Estes representam 12% de lactentes acima do peso. Contudo, não foi possível correlacionar estatisticamente de modo significativo a relação das crianças acima do peso com a amamentação.

Palavras-chave


obesidade; sobrepeso; infância; aleitamento