, Fórum PAS - Prática em Atenção à Saúde 2017

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Ideação suicida em moradores da área de abrangência referente à unidade básica de saúde Aparecidinha: prevalência e fatores associados
Luis Antônio Pires, Ana Carolina Chagas Negrão de Almeida Barros, Ana Carolina de Oliveira, Amanda Seijtman Guttman, Anna Luiza Fonseca Cicone, Barbara Leticia Ferreira de Carvalho, Camila Pereira Barretto

Última alteração: 2017-12-07

Resumo


Introdução: segundo a OMS o suicídio é responsável por uma morte a cada 40 segundos no mundo, atingindo um número de 900 mil mortes por suicídio no ano de 2003. Além disso, o suicídio é a segunda principal causa de morte de jovens entre 15 e 29 anos, também são elevadas as taxas de suicídio em grupos vulneráveis que sofrem discriminação, como refugiados e migrantes, indígenas, lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e intersexuais (LGBTI) e pessoas privadas de liberdade. Sabendo que 75% dos suicídios ocorrem em países de baixa e média renda, tem -se que no Brasil as taxas de morte por suicídio são baixas - 3,9 a 4,5 para cada 100 mil habitantes -  porém ele figura entre os dez com maiores números absolutos de suicídio  (7.987 em 2004) por ser um país populoso. Dessa forma trata se de um grave problema de saúde pública que é evitável com certas medidas, no entanto são poucos os países que incluíram a prevenção ao suicídio entre suas prioridades de saúde e só 28 países relatam possuir uma estratégia nacional para isso. As medidas de prevenção incluem redução de acesso aos meios utilizados; introdução de políticas para reduzir o uso nocivo do álcool; identificação precoce, tratamento e cuidados de pessoas com transtornos mentais ou por uso de substâncias, dores crônicas e estresse emocional agudo.Nesse sentido o estigma envolvendo transtornos mentais e suicídio faz com que muitas pessoas que estão pensando em tirar suas próprias vidas ou que já tentaram suicídio não procurem ajuda e, por isso, não recebam o auxílio que necessitam. Nesse cenário, este projeto pretende estimar a prevalência da ideação suicida na área de abrangência da Unidade Básica de Aparecidinha, Sorocaba – SP, relacionando tal comportamento autodestrutivo com fatores socioeconômicos e psicológicos predisponentes descritos na literatura. Métodos: Foram levantados os pacientes da abrangência da UBS de Aparecidinha em seu CAPS de referência (CAPS III - Arte do Encontro) e selecionados os pacientes atendidos pelo serviço de psiquiatria e cadastrados com os seguintes diagnósticos: episódio depressivo grave com ou sem sintomas psicóticos; Transtorno depressivo recorrente, episódio atual moderado; Transtorno depressivo recorrente, episódio atual grave com ou sem sintomas psicóticos; Transtorno bipolar; e Esquizofrenia. Os dados obtidos dos pacientes foram nome, endereço, idade, telefone e nome de um familiar. Após essa fase foi realizada uma visita domiciliar para esses pacientes, na qual foram aplicados os seguintes questionários: Questionário de dados sociodemográficos (QDSD), Inventário de depressão de Beck, Escala de desesperança de Beck e Roteiro para avaliação do risco de suicídio. Aplicados apenas após assinatura do Termo de Consentimento Livre Esclarecido e esclarecimento do objetivo do trabalho e da realização dos questionários. Ademais, foram aplicados questionários na reunião com pacientes psiquiátricos na UBS de Aparecidinha. Resultados: A partir dos questionários obtidos foi realizada uma análise descritiva da amostra para verificar se houve diferença entre os transtornos psiquiátricos no que diz respeito ao risco de suicídio. Além disso efetuamos uma outra análise para testar as possíveis correlações entre as variáveis e finalmente, realizar uma análise de comparação com escores de suicídio como variável dependente e as demais (sociodemográficas, transtornos mentais, escores de depressão) como variáveis independentes. Ao todo foram entrevistados 14 pacientes, com idade variando de 70 a 26 anos e sendo 64,3% do sexo feminino (9 pacientes) e 43% entre 45 e 57 anos. Dos entrevistados, 64% estava aposentado e 29% desempregado e do total 79% alegavam seguir alguma religião. A maioria possuía diagnóstico de depressão (6 pacientes) e a minoria possuía diagnóstico de ansiedade (1 paciente). Ao analisar a Escala de Beck viu-se que 21% dos entrevistados apresentavam-se na classificação mínima, 29% apresentavam-se na classificação leve, enquanto outros 29% apresentavam-se na classificação moderada a grave e 21% já estavam classificados como grave. E ao realizar essa mesma análise na Escala de Desesperança de Beck obteve-se o resultado de 42% dos pacientes classificados com risco mínimo, 28% como leve, 14% como moderado e 14% como grave. Ao se comparar as diferenças por gênero nos resultados da Escala de Desesperança de Beck observou-se que 25% das mulheres encontravam-se na classificação grave, enquanto no sexo masculino nenhum paciente entrou nessa classificação, apenas nas demais. Na correlação entre desesperança e religião também pudemos perceber uma maior incidência dos casos graves entre os não praticantes – 34% do total, contra 10% nos religiosos – o mesmo se aplica quando comparado depressão e religião, os índices entre os não praticantes são mais graves e também quando comparado ao risco de suicídio; dos não praticantes 34% tem alto risco de suicídio, contra 19% entre os praticantes. Por fim, quando cruzado a classificação na escala de Desesperança com o Risco de Suicídio, percebemos, como esperado, que quanto mais grave o paciente se encontra na escala, maior seu risco de suicídio. Por outro lado, quando comparado Depressão e Risco de Suicídio, em nossa amostra percebemos que o risco maior estava na classificação moderada, sendo 75% destes enquadrados como alto risco de suicídio. Discussão/Conclusões: Ao realizar o trabalho percebemos algumas dificuldades na metodologia, devido a quantidade de questionários e a vulnerabilidade da situação dos pacientes entrevistados. Além disso, foram enfrentados obstáculos comuns dessa metodologia, como mudança de endereço dos pacientes, ausência dos pacientes na residência e recusa a responder o questionário. Embora os resultados sejam preliminares, observamos que o maior fator associado ao risco de suicídio, foi a presença de depressão, seguido por desesperança. Nessa análise o índice socioeconômico não foi associado ao risco de suicídio. Ademais, a prática religiosa esteve moderadamente associada à menores índices de desesperança e depressão, apesar de não haver correlação desta com o índice de suicídio.

Palavras-chave


depressão; esquizofrenia e transtornos com características psicóticas; ideação suicida