, Fórum PAS - Prática em Atenção à Saúde 2017

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Gravidez na Adolescência: uma análise das informações disponíveis às adolescentes do bairro Vitória Régia
Willy Marcus Gomes França, Ricardo Yugi Eri, Samuel Serpa Steck, Stephanie Ribeiro Lumelino, Tatiana Rodrigues Shiratsu, Thais Motta Justo, Thais Reina Zambotti, Tiago Genzini de Miranda, Vanessa Rigoni Marcato, Vitor Pelogi Arienzo, Vitoria Guelli Ambrosio

Última alteração: 2017-12-07

Resumo


Introdução: é fato que a gravidez tem impacto negativo no futuro acadêmico das adolescentes que passam por esse processo. A sexualidade continua sendo um tema tabu na nossa sociedade, o que contribui para a perpetuação do problema, já que esses jovens não são devidamente orientados por pais, professores ou médicos.  Muitas vezes, ainda, o próprio indivíduo veio de uma gravidez na adolescência e acha o processo corriqueiro e sem grande importância. A faixa etária foi definida, porque corresponde ao início da adolescência e o projeto tem como foco disponibilizar informações e orientações suficientes, a fim de prevenir uma gravidez nos anos que se seguiriam. Professores e responsáveis devem estar atentos para sinais de ingresso na vida sexual e devem garantir que o indivíduo possui o conhecimento necessário para fazê-lo com segurança. Mesmo com o contato diário e com a liberdade de comunicação sobre o tema com os responsáveis e pais, nem sempre há aptidão destes para passar as informações corretas sobre o assunto. Segundo levantamento do Movimento Todos pela Educação, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), em 2013, havia 309 mil meninas entre 15 e 17 anos em situação de gravidez no país. Neste mesmo ano, atingimos, de acordo com pesquisa do Banco Mundial, a 49 posição no ranking mundial de gestação antes dos 19 anos (abaixo de países como a Índia e o Paquistão, que possuem regiões de legalização do casamento infantil). Isso representa dano profundo na educação dessas meninas, já que a maioria delas acaba abandonando a escola para serem mães em tempo integral. É preciso informá-las sobre métodos contraceptivos, sobre as complicações obstétricas de uma gravidez na adolescência e sobre as consequências do abandono escolar para tentar diminuir a frequência desses eventos. Objetivos: Verificar os conhecimentos prévios das alunas de 12 a 14 anos de uma escola do Bairro Vitória Régia de Sorocaba e orientá-las sobre a gravidez na adolescência, sua prevenção e consequências. Metodologia: Os alunos da disciplina “Prática em Atenção à Saúde” (PAS) irão até a escola próxima à UBS do bairro Vitória Régia para a aplicação do questionário individual e anônimo. Os professores serão avisados e auxiliarão os responsáveis no processo de distribuição, controle da sala e dúvidas das estudantes. Neste questionário, serão avaliadas as noções de sexualidade, métodos contraceptivos e relevância educacional para as adolescentes de 12 a 14 anos. Depois de preenchidos devidamente pelas alunas da escola, os questionário serão recolhidos pelos estudantes de medicina e seguirão para a análise de resultados. Serão averiguadas, quais das alunas já estão em vida sexual ativa, quais métodos elas utilizam (se utilizam), quais elas conhecem, o grau de acessibilidade desses métodos, quais delas já estiveram grávidas, o que elas pensam sobre gravidez na adolescência e como seria se elas estivessem vivendo essa experiência. Os dados obtidos serão colocados em tabela comparativa de acordo com a idade e do número total de alunas e o quantidade de cada alternativa assinalada e representados por meio de porcentagem. Chegando a estes resultados, os estudantes da disciplina PAS irão montar uma palestra interativa para sanar as dúvidas referentes ao questionário e para corrigir eventuais concepções erradas do assunto; será frisada, ainda, a importância da educação e de permanecer nela mesmo em situações adversas como a gravidez na adolescência. Para averiguar a validade da palestra, será feita, em seguida, roda de discussão entre os responsáveis pelo projeto e as alunas, em que estas serão indagadas sobre os assuntos abordados na apresentação e sobre possíveis dúvidas e curiosidades quanto a ela. Resultados: a diferença na resposta geral média entre a aplicação do questionário inicial e o questionário final revela que a intervenção educativa na escola teve um impacto muito positivo em determinados aspectos abordados na apresentação. Em contrapartida, outros aspectos não proporcionaram tamanho impacto positivo sobre os adolescentes. De maneira geral, em relação ao diálogo com outras pessoas a respeito de assuntos relacionados ao sexo, os estudantes não entenderam que devem falar com o médico, e a grande porcentagem que relatou não conversar com ninguém a respeito do assunto, manteve este comportamento. Referente aos métodos contraceptivos desconhecidos pelos estudantes, tivemos como resultado um aprendizado positivo para os métodos dispositivo intrauterino, implante, coito interrompido, injetáveis, adesivo e diafragma, o que significa que uma parte dos estudantes que desconhecia estes métodos passaram a conhecê-los. Em relação à obtenção dos métodos contraceptivos, o resultado se mostrou muito positivo, uma vez que na pré-intervenção constatou-se que 99% dos adolescentes não obtinha os métodos e apenas 1% o fazia na UBS. No questionário aplicado pós-intervenção, foi observado que mais de 30% dos estudantes entendeu que pode conseguir tais métodos na UBS, 20% com os pais, e mais de 10% entendeu que pode obtê-los de forma independente. Outro aspecto importante a ser ressaltado e que teve aprendizado positivo, foi a questão “O que você faria se engravidasse?”, na qual mais de 70% dos estudantes responderam que continuariam na escola e deixariam o filho com um adulto, no questionário aplicado após a intervenção. Analisando separadamente os adolescentes por idade, constatou-se que os estudantes mais velhos (14 anos), também não entenderam que devem conversar com médicos a respeito do assunto, mas tiveram um aprendizado positivo em relação ao conhecimento dos métodos contraceptivos que difere daquele obtido pelo público de forma geral, em especial o anticoncepcional oral, além do dispositivo intrauterino, injetáveis e implante. Na questão “O que você faria se engravidasse?” do questionário aplicado no pós-intervenção, os adolescentes de 14 anos tiveram uma resposta mais satisfatória em relação às respostas obtidas no questionado aplicado pré-intervenção (60% para 67%), entretanto, este aumento é proporcionalmente  inferior ao aumento do aprendizado do público geral, o qual  foi de 57% para 71%. Conclusão: as questões mais relevantes abordadas nos formulários, como conhecimento dos métodos, diálogo sobre assuntos relacionados ao sexo, forma de obtenção dos métodos contraceptivos, e conduta perante uma possível gravidez na adolescência, obtiveram um impacto positivo. Esperávamos que os adolescentes de 14 anos, aqueles que teoricamente possuem um nível de escolaridade maior, obtivessem um resultado mais expressivo em relação ao público geral, porém isso não foi observado. Como limitações do presente estudo, enfrentamos uma situação desfavorável para abordagem, como falta de estrutura necessária para uma apresentação adequada e problemas relacionados aos alunos, entre eles, falta de colaboração, questões em branco de formulários aplicados e respostas inadequadas. Além disso, foi reportado pelos profissionais da escola, que por conta do final do ano, muitos alunos faltam com maior frequência, o que significa que muitos dos alunos que responderam o questionário aplicado na pré-intervenção não foram os mesmos que responderam o questionário do pós-intervenção. Portanto, pode-se concluir que apesar do presente estudo ter obtido resultados satisfatórios em alguns aspectos, outros não obtiveram melhoras comprovadas, o que configura um cenário, no qual são essenciais mais programas de orientação sexual, para prevenção de gravidezes de alto risco e transmissão de doenças sexualmente transmissíveis em adolescentes da faixa etária abordada.


Palavras-chave


gravidez na adolescência; métodos anticoncepcionais; métodos contraceptivos; gestação na adolescência; levantamentos e questionários