, Fórum PAS - Prática em Atenção à Saúde 2017

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Educação em saúde para crianças: práticas de higiene como medidas profiláticas contra parasitoses
Carlos Alberto de Oliveira, Natália Butturi Varone, Natalia Ribeiro Aguera, Marília Tamie Boff Kakiuchi, Mario Luiz Watanabe Gomes Martins, Maurício Caetano Ramon Pires Junior, Mauricio Kenji Ishida, Matheus Rauen Oliveira, Mel Diniz Canal, Milena Regina dos Santos Perez, Nayara Alamino Rodrigues, Pedro Vicenzo Déo Malaquini, Pietra Giovanna de Souza Daher

Última alteração: 2017-12-07

Resumo


Introdução: As parasitoses representam um sério problema de saúde pública no Brasil, devido à carência de saneamento básico associada à ausência de medidas pessoais e sociais de higiene, principalmente em regiões onde a assistência em saúde é precária, em que há falta de saneamento básico associada aos maus hábitos de higiene e limpeza. As enteroparasitoses, em especial, constituem importante fator debilitante da população, estando frequentemente associadas à diarreia crônica e déficit orgânico e nutricional e comprometendo o desenvolvimento pondero-estrutural e intelectual dos indivíduos, principalmente crianças. Sabe-se que está intimamente relacionado com a via de transmissão oral-fecal, o que garante a contaminação por alimentos e água mal higienizados e/ou conservados e hábitos de higiene básica precários. Por saber que a higiene é considerada uma das necessidades humanas básicas de grande importância, pois esta pode prevenir o surgimento de diversas parasitoses intestinais, tem-se percebido que a escola pode contribuir, desde as séries iniciais, para a promoção básica de saúde, já que as crianças constituem um importante grupo de risco para infecções por parasitas, pois apresentam atitudes prevalentes, como levar a mão à boca a todo instante e indiscriminadamente. Quando uma criança passa a frequentar a escola, já possui conhecimentos e práticas adquiridas no lar. Muitos deles podem contribuir para a transmissão de patologias, necessitando de modificações, como a lavagem incorreta de alimentos, não higienização das mãos antes das refeições e limpeza das unhas. O que se reconhece é a escola de hoje não apenas como uma agência de alfabetização, mas como um centro de socialização, responsável por desenvolver todas as potencialidades da criança tornando-a elemento útil e ajustado à comunidade a que vai pertencer e uma fonte difusora de informação, seja entre colegas, irmãos, pais e demais participantes de seu vínculo. Desse modo, a abordagem de indivíduos ainda com comportamentos moldáveis junto a ações educacionais, surge como medida profilática contra patologias comuns em nosso cotidiano e que podem ser prevenidas, de forma eficaz, pela própria população, em qualquer faixa etária. O projeto ‘’Educação em saúde para crianças: Práticas de higiene como medidas profiláticas contra parasitoses’’, por meio da atuação dos estudantes da faculdade de medicina de Sorocaba FMCS-PUCSP, visa melhorar a qualidade de vida, principalmente das crianças na faixa de vulnerabilidade social, promovendo saúde, além de um efeito multiplicador de informações, de modo que as crianças, após aprenderem sobre tais ações, possam levar o conhecimento adiante com seu grupo de convívio. Metodologia: As atividades foram desenvolvidas em dois momentos. No primeiro, houve capacitação dos alunos desenvolvedores do projeto relatando o microrganismo transmissor da doença, fisiopatologia, forma de contágio e medidas profiláticas sobre os parasitas: Ascaris lumbricoides, Giárdia lambia, Entamoeba histolytica, Enterobius vermicularis e Trichuris trichura. Para escolha desses parasitas foram pesquisadas publicações no Google acadêmico que retratavam as principais parasitoses intestinais em escolares. Em um segundo momento houve uma gincana desenvolvida com alunos na faixa etária entre seis a doze anos, na organização não governamental “Ação e Paz”, localizada na rua Claudomiro Pereira, número 213, bairro Parque Vitória Régia, próximo à UBS Ulysses Guimarães, em Sorocaba-SP. Essa gincana contou com a divisão da sala em dois grupos aleatórios, organizados em uma roda. Foram distribuídas dez peças de um jogo da memória ampliado no centro da roda, sendo que uma peça do par ilustrava o parasita e outra trazia uma ilustração menor dele juntamente com uma breve descrição da patologia transmitida e da forma de contágio. As crianças foram virando as peças, encontrando os pares de acordo com a ilustração, e lendo as informações sobre a parasitose. Ao fim, receberam uma folha com desenhos para colorir que apresentava métodos de higiene a crianças, criada pela prefeitura da Conceição do Coité-BA. Após 15 dias da intervenção os alunos organizadores retornaram à instituição para que os escolares pudessem preencher um cartaz com medidas profiláticas que eles elencassem eficazes contra as parasitoses, o qual foi afixado no mural da entidade. Resultados: Após a realização da intervenção, os seguintes objetivos puderam ser alcançados: - Fornecer conhecimento sobre fisiopatologia, agente etiológico, forma de contágio e medidas profiláticas das principais parasitoses (Ascaridíase, Giardíase, Amebíase, Enterobíase e Tricuríase); -Fornecer um melhor conhecimento sobre higienização pessoal, como o ato de lavar as mãos corretamente; -Formar multiplicadores em noções de prevenção em saúde; -Capacitar as crianças de forma lúdica a realizarem práticas de prevenção à saúde. Foi perceptível, com o preenchimento do cartaz com medidas profiláticas pelas próprias crianças através de ilustrações, a fixação dos seguintes pontos abordados na dinâmica lúdica com o jogo da memória ampliado: lavagem das mãos antes das refeições e após usar o banheiro com sabonete e lavagem dos alimentos antes de consumi-los. Ainda, a folha com desenhos para colorir que apresentava métodos de higiene a crianças, trazia três métodos que foram retratados em várias ilustrações no cartaz, que são: cortar as unhas, usar roupas limpas e não andar descalço. Em relação às principais parasitoses do estudo, os alunos retrataram as imagens do jogo de memória ampliado dos seguintes parasitas: Entamoeba histolytica e Ascaris lumbricoides. Ademais, desenharam outros patógenos semelhantes aos do jogo da memória ampliado que não puderam ser definidos, porém, todos retratando a importância da lavagem das mãos para evitar o contágio. O objetivo que pretendia formar multiplicadores em noções de prevenção em saúde foi plenamente alcançado, já que a intervenção foi realizada com as crianças do período da tarde, todavia, não aplicada às crianças do período da manhã. Para tanto, os escolares da tarde realizaram a pintura da folha para colorir que apresentava hábitos de higiene juntamente com os da manhã, no período do almoço. Logo, socializaram o que foi ensinado na intervenção com os colegas. A pretensão em abordar as práticas de prevenção em saúde de forma lúdica obteve sucesso, já que as crianças demonstraram interesse em participar da dinâmica, relatando suas experiências com higiene e suas dificuldades com alguns hábitos, como a lavagem correta das mãos e a necessidade do uso de sabonete. Também, o uso de uma ferramenta interativa para transmissão de informações foi fundamental, já que as crianças sentiram maior liberdade em participar e curiosidade em aprender com o jogo, apontando as peças mais chamativas e menos criativas. Após a atividade, antes do lanche ofertado às crianças, todas realizaram a lavagem das mãos juntamente com os estudantes de medicina, para fortalecer de forma prática esse hábito de higiene discutido na atividade. Nesse momento, os estudantes relataram que cinco alunos apresentaram dificuldade nessa tarefa, necessitando de nova orientação. Por fim, o objetivo que previa fortalecer o vínculo entre alunos e UBS não foi alcançado, já que a gincana foi realizada dentro da instituição “Ação e Paz” com a ausência de membros da unidade de saúde, que não puderam estar presentes no dia. Conclusão: Conclui-se, portanto, que discutir práticas de higiene com crianças é uma medida promotora de saúde. O uso das parasitoses intestinais como plano de fundo para essa discussão foi essencial, já que as crianças relembraram o desenho dos parasitas no momento de construírem o cartaz, associando-os com a correta profilaxia. Ainda, falar a respeito de doenças trouxe maior importância à necessidade de aplicar as práticas aprendidas na atividade, já que criou um receio nos escolares em adoecerem. Somado a essa percepção, a faixa etária de escolha para aplicação da gincana foi facilitadora na divulgação de informações, já que estão em contato diário com familiares, amigos e responsáveis pelo processo de educação, podendo transmitir o conhecimento espontaneamente a diversas pessoas. O uso do jogo de memória ampliado foi indispensável para atrair as crianças à intervenção, sendo uma ferramenta que ao mesmo tempo divertia, por ser uma brincadeira comum nessa faixa etária, e facilitava o aprendizado, já que havia ilustrações e frases objetivas, que os próprios escolares puderam ler. Não apenas isso, permitiu um diálogo entre os aplicadores e os participantes, por não se tratar de uma aula formal, por ser realizada fora da sala de aula, com os alunos em uma disposição de acolhimento na roda, os quais podiam falar a qualquer momento, tirando suas principais dúvidas e compartilhando suas experiências sobre o assunto. Como dificuldades da atividade, percebeu-se que o tempo de concentração dos alunos é menor do que comparado com outros de faixa etária maior, o que exigiu próximo das últimas patologias, ser mais sucinto na explicação delas. Além disso, os alunos queriam falar todos ao mesmo tempo, necessitando organizar os aplicadores entre eles, orientando-os com maior cautela a falarem um por vez. De forma geral, a intervenção obteve sucesso e cumpriu com a maioria de seus objetivos propostos.


Palavras-chave


parasitoses; educação em Saúde; higiene pessoal; saúde das crianças