, Fórum PAS - Prática em Atenção à Saúde 2017

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Desmistificação dos transtornos mentais prevalentes na população abrangida pela Unidade de Saúde da Família de Vitória Régia – Sorocaba/SP
Fábio Miranda Junqueira, Juliana Cristina Tangerino, Patrícia Franco Kauffmann, Paulo Henrique Augusto de Carvalho, Pedro Henrique Araújo de Amorim, Rafael Rodrigues Cassorla, Rafaela Chiarini Batistella, Rafaella Maria de Paula Souza, Rafaelly Castro Rocha, Raísa Arantes de Arruda Zanoni, Ramiro Castelo Branco Rocha, Raphael Birindelli Guimarães

Última alteração: 2017-12-07

Resumo


Introdução: A frequência de queixas sobre casos de transtornos mentais encontrados no bairro de Vitória Régia – Sorocaba/SP, durante as visitas domiciliárias (VD) e conversa com agentes comunitárias de saúde, em conjunto com a importância na atualidade de temas que envolvem saúde pública mental, evidenciou a necessidade da população por esclarecimentos sobre os temas mais recorrentes, como ansiedade - devido ao fato de sua incidência na população brasileira ser de 9,3%, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) -, depressão – que atinge 5,8% da população brasileira e, em 10 anos (de 2005 a 2015), esse número cresceu 18,4%, segundo dados da OMS - e esquizofrenia, significantemente encontrada nas famílias acompanhadas pelos alunos no decorrer das VD. Embora muito relatadas, a população mostrou pouco conhecimento e muitos estigmas associados a esses distúrbios. Além disso, notou – se a necessidade de interar a população sobre os tratamentos destes transtornos, tanto farmacológicos, quanto não farmacológicos (integrativos), os quais são de suma importância para amenizar sintomas depressivos, por exemplo, e estão atualmente descritos na “Estratégia da OMS sobre Medicina Tradicional 2014-2023”. Com isso, tem - se por objetivo a diminuição do uso de fármacos psicoterápicos inadvertidamente e em elevadas dosagens, além da reflexão sobre importância de associar tratamentos farmacológicos com abordagens integrativas, como a prática de exercício físico que está acessível aos habitantes da região através do grupo de caminhada presente na USF – Vitória Régia e atividades como Zumba, oferecida na escola onde fora executado o projeto. Foram, então, idealizadas oficinas para elucidação dos temas à população, a fim de desfazer estigmas impostos e esclarecer dúvidas comuns principalmente da população jovem habitante, uma vez que fora notada maior recorrência dos transtornos mentais nesse grupo etário. No entanto, houve alteração no método de exposição dos assuntos no dia da execução da ação educativa, devido necessidades da população em possuir abordagens mais completas e esclarecer dúvidas que abrangiam tópicos variados sobre saúde mental. Metodologia: A amostra do projeto foi a população residente no bairro de Vitória Régia em Sorocaba, onde, a partir da observação da área, foi notada prevalência de transtornos mentais. Como método de informar a população a respeito da saúde mental e atender a demanda encontrada na região, foram expostos dados científicos e estatísticas sobre os tópicos. A princípio, foram organizadas oficinas divididas entre os assuntos tratados, nas quais seriam abordadas apenas um dos temas específicos, formando cinco oficinas no total: “Ansiedade, normal ou patológica? ”, “O que é depressão? ”, “Desmistificando a esquizofrenia”, “Tratamentos farmacológicos” e “Tratamentos integrativos”. No entanto, a execução foi feita através de debate em roda de conversas com a população, sendo elucidados todos os assuntos conforme o interesse, necessidade e as dúvidas dos participantes. Essa roda foi feita em uma escola de ensino médio do bairro, Escola Estadual Rosemary de Mello Moreira Pereira, onde o público alvo pôde ser atingido mais diretamente e na Unidade de Saúde da Família Vitória Régia. Para controle dos resultados obtidos na ação, foram aplicados questionários aos participantes, questionando sexo, faixa etária, presença de experiência familiar ou pessoal com algum dos transtornos discutidos, efetividade da ação educativa no esclarecimento de dúvidas prévias, absorção de novos conhecimentos e mudança na visão geral sobre os transtornos, contribuindo para a desmistificação. Resultados: O objetivo da ação educativa de informar, esclarecer dúvidas e desmistificar os transtornos mentais prevalentes na região foi atingido, uma vez que 89,9% da amostra afirmou ter esclarecido suas dúvidas, 96,3% relatou ter mudado sua visão sobre os assuntos abordados e 89,9% aprendeu algo novo sobre os temas. A mudança na estratégia de apresentação dos temas, deixando a ideia de oficinas para empregar o método da roda de conversa, contribuiu para os resultados positivos obtidos, uma vez que possibilitou a análise do conhecimento prévio dos participantes, assim como de suas dúvidas. Com isso, o debate ficou direcionado às demandas dos envolvidos, agindo de forma resolutiva e esclarecedora. Outrossim, de toda a amostra, 55,6% foram de jovens e adultos entre 10 e 30 anos, atendendo as expectativas de que esse seria o grupo mais interessado. Tal estatística foi atribuída ao fato de constituírem o grupo com maior número de experiências pessoais notadas durante as VD e confirmada na resolução dos questionários, nos quais 53,3% dos jovens e adultos (faixa etária de 10 a 30 anos) afirmaram ter experiência pessoal prévia com um ou mais dos transtornos discutidos. Discussão e  Conclusão: As experiências pessoais e familiares com transtornos mentais, como depressão e ansiedade, são comuns na população geral da Atenção Primária do Brasil em geral, como mostram estudos publicados no Caderno de Saúde Pública, tendo correspondência na população atendida pela Unidade de Saúde da Família de Vitória Régia. A recorrência destes está muito relacionada, nessa população, à violência urbana, baixos níveis de escolaridade e baixa renda. A ação educativa teve baixa adesão, no entanto, cumpriu seus objetivos assumidos e alcançou o propósito de mudar a visão da maioria da amostra e contribuir para a desmistificação dos transtornos mentais, além de incentivar indivíduos que sofrem com algum dos temas abordados a procurar ajuda psicoterapêutica e médica. Por essa razão, percebeu – se que poderá ser alcançada uma maior efetividade na desmistificação do assunto dentre a população abordada com ampliação da ação educativa, realizando periodicamente rodas de conversa sobre saúde mental, tanto na Escola Estadual Rosemary de Mello Moreira Pereira quanto na Unidade Básica de Saúde de Vitória Régia. Dessa forma, o projeto de intervenção no bairro de Vitória régia terá continuidade, uma vez que o objetivo de desestigmatizar qualquer pensamento enraizado requer um processo duradouro e gradual e ações imediatistas não têm grande efetividade. Com isso, será possível ter melhor conhecimento sobre as dúvidas da população, agindo de forma mais resolutiva, além de estabelecer vínculo o que proporciona uma conversa com menos restrições e temores e com mais sinceridade sobre pensamentos, sentimentos e dúvidas. Outro ponto positivo da continuidade no projeto, é que permitirá instigar novas pessoas a participarem das rodas e ampliar a intervenção educacional na população, além de proporcionar momento de convívio entre habitantes da região com interesse comum em se informar sobre os transtornos que apresentam queixas recorrentes no bairro Vitória Régia – Sorocaba/SP.


Palavras-chave


saúde mental; depressão; transtorno de ansiedade; esquizofrenia; tratamentos