, Fórum PAS - Prática em Atenção à Saúde 2017

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Cozinha sem pressão: alimentação saudável e acessível para todos
Rosana Maria Paiva dos Anjos, Reinaldo José Gianini, Gabriel Igor Melo de Andrade, Gabriel Murad Takao, Gabriela Antoni Fracasso, Gabriela Figueiredo Papini, Gabriela Palma de Brito, Gabriela Vieira Endrice

Última alteração: 2018-06-04

Resumo


Introdução: Alimentação saudável é aquela que atende todas as exigências do corpo e respeita as necessidades de cada pessoa. Deve ser fonte de nutrientes, variada, equilibrada e suficiente em quantidades além de ser acessível e colorida. O teor de nutrientes na alimentação brasileira, segundo critérios da Organização Mundial da Saúde, é considerado insuficiente no caso de fibras e alguns minerais e vitaminas, e excessivo com relação ao açúcar ou de gorduras não saudáveis gorduras saturadas e gorduras trans. Objetivos: Informar sobre hábitos alimentares saudáveis, através da demonstração de receitas culinárias com alimentos saudáveis e acessíveis visando a prevenção e redução de agravos de doenças crônicas não transmissíveis, como o Diabetes Mellitus e a Hipertensão Arterial Sistêmica; promover a saúde através do empoderamento da população sobre informações nutricionais e os benefícios da alimentação saudável. Métodos: Relato sobre trabalho de campo realizado durante as atividades do PAS – prática na atenção à saúde,  que acompanha ações positivas, incluindo pacientes do Centro Saúde Escola (CSE), no Município de Sorocaba, com a aplicação de um questionário para verificação do interesse dos pacientes a respeito do tema; elaboração de receitas saudáveis, voltadas para portadores de doenças crônicas e um segundo questionário para avaliar o modo como os pacientes mensuram a qualidade dos hábitos alimentares; se conheciam as receitas propostas e pretendem utilizá-las; se há a possibilidade de essas receitas apresentadas substituírem os pratos que não são considerados “saudáveis”. Resultados: Na amostra de 86 entrevistados, escolhidos aleatoriamente na sala de espera da UBS-CSE, durante cinco dias de intervenção, 66,27% eram do sexo feminino. As faixas etárias encontradas foram: 18 a 25 Anos (16,27%), 26 a 35 Anos (13,95%), 36 a 45 Anos (15,11%), 46 a 55 Anos (19,76%) e 56 Anos ou Mais (34,88%). Ao questionarmos se o indivíduo prepara as refeições em sua própria casa, 74,14% dos entrevistados responderam afirmativamente; 23,25% disseram que outras pessoas cozinham na casa onde vivem e apenas 2,32% disseram que ninguém cozinha em casa. Dentre os que afirmaram cozinhar em casa, 56,97% o fazem para 2 ou mais pessoas. Dos entrevistados, 53 possuíam alguma doença que exigisse restrição alimentar como tratamento em casa, se destacaram a Diabetes e Hipertensão. Muitos indivíduos possuíam duas ou até mais doenças e restrições para as quais são indicadas dietas específicas. Apenas 2 pessoas não conheciam nenhum dos ingredientes utilizados nas receitas e, na avaliação de acesso e custo dos ingredientes 72,09% consideraram todos de baixo custo e fácil acesso. Quanto a intenção dos entrevistados em reproduzir as receitas apresentadas e o incentivo do projeto em fazê-los adquirir hábitos mais saudáveis, obtemos 88,37% de respostas positivas. Para finalizar as perguntas, questionamos se os pacientes alterariam algo na dieta, e 56 elencaram mudanças como: Menos Gordura, Óleo e Fritura; Cortar o Açúcar; Mais Verduras, Saladas e Legumes e Menos Sal. Diversos indivíduos chegaram a propor mais de uma alteração na própria dieta, reforçando assim o interesse e a necessidade de sempre melhorar a alimentação. Discussão: Os resultados deste estudo foram obtidos a partir de uma amostra representativa da população, de ambos os sexos, da UBS Centro de Saúde Escola, no município de Sorocaba-SP. Com relação à adesão da população ao questionário, não houve resistência dos entrevistados. Além disso, percebeu-se que a adesão foi facilitada pelo fato de oferecermos a degustação das receitas. Das 64 pessoas que cozinham, 61 pretendem reproduzir as receitas apresentadas; 3 disseram que talvez realizariam as receitas e nenhuma se negou a reproduzir. Já dos 22 entrevistados que não cozinham em suas casas, 68,19% pretendem reproduzir as receitas; 18,18% disseram que talvez as executariam e 13,63% disseram que não iriam replicar as receitas. Dessa forma, notou-se que o projeto atingiu o objetivo de estimular a formação de hábitos alimentares mais saudáveis. Segundo o Ministério Público, os obstáculos para uma alimentação saudável são identificados como: informação, oferta, custo, habilidades culinárias, tempo e publicidade. No entanto, a informação, a oferta e o custo não se apresentaram como obstáculos para a maior parte da população entrevistada, uma vez que cerca de 85% conhecem todos ingredientes citados nas receitas; e cerca de 72% acreditam que eles são de fácil acesso e de baixo custo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o teor de nutrientes na alimentação brasileira não aparenta seguir as normas de uma boa alimentação, revelando uma diminuição no consumo de alimentos básicos, como o arroz e o feijão, e um aumento no consumo de produtos industrializados, como biscoitos e refrigerantes, bem como aponta para a permanência do alto consumo de açúcar, baixo consumo de frutas e hortaliças e aumento da participação de gorduras na dieta. Apesar disso, de acordo com os resultados obtidos, pode-se inferir que houve desejo de mudança dos entrevistados para uma dieta mais saudável: 33,92% querem diminuir o consumo de fritura e gordura; 33,92% diminuir o consumo de doces e açúcares; 17,85% reduzir o sal dos alimentos; 8,92% parar o consumo de refrigerantes; 7,14% diminuir a ingestão de alimentos industrializados e processados; e 21,42% desejam aumentar o consumo de verduras e hortaliças. Embora haja na amostra um percentual de pessoas que não desejam mudar a dieta, vale ressaltar que algumas comentaram que acreditavam não haver necessidade de mudança porque já possuíam hábitos alimentares saudáveis. O projeto também verificou a prevenção primária e secundária de doenças crônicas não transmissíveis ao relacionar as pessoas ou familiares que possuem alguma doença com restrição alimentar como tratamento e a intenção em adquirir hábitos mais saudáveis. Dos 33 entrevistados que não apresentam restrição alimentar na dieta de sua família, 78,79% querem adquirir hábitos mais saudáveis (prevenção primária). Já em relação aos 53 entrevistados que apresentam restrição alimentar na dieta de sua família, 86,8% querem adquirir hábitos mais saudáveis (prevenção secundária). O objetivo de verificar o gerenciamento e a qualidade dos hábitos alimentares dos usuários da UBS CSE foi avaliado indiretamente ao constatou-se que 83,72% querem adquirir hábitos mais saudáveis. Conclusão: Conclui-se que este projeto proporcionou a formação de hábitos alimentares mais saudáveis na população da UBS CSE, a partir de mudanças alimentares com receitas fáceis e de baixo custo que podem ser realizadas em casa e que atendem as necessidades adequadas de nutrientes preconizadas pela Organização Mundial da Saúde.


Palavras-chave


comportamento alimentar; centros de saúde; doença crônica

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